Pitbulls…anjos ou demônios??

    Em uma tarde quente e abafada, percebo com o canto dos olhos uma mancha branca adentrando o portão de casa que naquele momento estava aberto ,viro o rosto e para o meu espanto vejo um enorme Pitbull branco com grandes manchas pretas no corpo, uma delas ao redor do olho direito,feito tapa olho o que lhe confere um ar marginal de “pirata”, adentrando o quintal, e minha sogra sem nenhuma acuidade visual e a menor noção de perigo diz: “cachorrinho bonitinho!!!”, sentado na minha posição inicial fico em suspense por um centésimo de segundo observando a reação do animal, e logo me recupero e grito em alto brado para que a incauta se afaste o mais longe possível, e levantando devagar vou em direção a fera.

  Reúno toda a coragem que tenho e chamo o cachorro para a minha direção, e com cara de idiota digo:”oi garoto, tá perdido?”, ato contínuo estendo a mão acariciando sua cabeça, e ganho em retribuição uma lambida molhada na mão, agora mais tranquilo e seguro, analiso o belo espécime, e verifico que ele apresenta leves tremores,indicando muito medo, eu o tranquilizo com palavras e carícias no pêlo e ele aninha aos pés da cadeira que eu estava sentado e dorme um sono profundo, um sono perturbado…

   E agora?; penso eu, “coloca – lo na rua não me parece a atitude correta”, e logo penso em procurar o seu dono… de que maneira?, não tenho ideia, logo surge uma pista que se transforma em certeza, minha esposa menciona que o cachorro é parecido com o do vizinho da rua de baixo…pronto resolvido, vou deixa – lo descansar um pouco, e a tarde levo de volta para o seu dono.

A tardezinha chamo o animal,que a esta altura já tinha sido rebatizado com o nome poderoso de “Thor”, e para minha surpresa me acompanha alegremente, chegando no vizinho, pelo seu espanto ao ver o animal adentrando sua porta, constato que nos enganamos, o cachorro não é dele, e aí começa o nosso dilema,procurar a casa do Thor.

  Combinamos anunciar no rádio o encontro do cachorro, e no outro dia entro em contato com duas emissoras locais, que me fazem o favor, e até alguém ligar começamos a cuidar do cão, dando banho e alimentando, e vamos observando o quanto ele é formidável, obediente,carinhoso,aceita e entende voz de comando,cheio de ternura, não lembrando em nada o mito alimentado por tragédias, que vemos nos jornais e tevê sobre a crueldade desta raça de cachorro, que por mais esforço que faço não consigo identificar o menor traço desta “besta”, assassina de velhos e criancinhas.Mas todo cuidado é pouco,minha filha de seis anos, fica meio ressabiada, temendo que o mesmo fixe “residência” em casa, fazendo com que ela, que almeja um filhote de poodle, tenha que descartar a ideia, eu a tranquilizo e digo que Thor é um hóspede temporário, e os planos para o filhote de poodle segue como planejado.

   E os dias vão passando, e nada do dono aparecer, e junto vai esvaindo a nossa disposição em encontra- lo o que nos obrigaria a nos desfazer de Thor, que a esta altura conquistou a todos nós, se integrando a família como se sempre fizesse parte dela, repito a minha inquietação, “onde esconde o demônio nesta criatura adorável??”, meu senso de responsabilidade me cobra ainda acompanhamento e cuidados, e felizmente só encontro no animal muita obediência e amor.

  Cabe a pergunta : será que os demônios retratados pela mídia, serão frutos de reflexo de personalidade de donos violentos, que imprimem a sua crueldade na pureza e inocência do animal??, o tempo me dará a resposta, já que o Thor ainda jovem, acredito que não tenha mais que seis meses, será acompanhado e analisado por muito tempo, e esperamos te – lo sempre da maneira que é hoje, alegre, afável, dócil, e amoroso.

Thor

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